Por Pedro Fávaro Jr./A Rede TVTEC forma suas primeiras turmas dia 29 de setembro, nos cursos de Assistente de Produção Visual e Edição de Vídeo para Redes Sociais. São as duas turmas pioneiras, qualificadas na primeira escola municipal gratuita do País em tecnologias digitais e produção visual, focada na redução da vulnerabilidade e exclusão social, num convênio com o Centro “Paula Souza”.

Primeira aula, em 10 de agosto: expectativa e ansiedade.
De 60 inscritos, 44 (73,3%) estão incluídos na chamada Geração Milênio ou Geração Y, ou ainda Geração internet, segundo conceitos sociológicos surgidos nesse período para definir os padrões de organização e comportamento dos nascidos entre meados da década de 1980 até meados da década de 1990. Outra curiosidade – do total dos matriculados, 45 pessoas estão desempregadas.

Não é de espantar que entre esses jovens haja tantos sem emprego. No País, existem 51,3 milhões de jovens, segundo o censo do IBGE de 2010 – 84,8% na cidade. Deles, 53,5% trabalham (entre eles 22,8% além de trabalhar, estudam). Nesse contingente, 36% só estudam, o que permite inferir que entre eles, pelo menos 5,4 milhões estão sem trabalho e sem estudo. Dentro desse contingente, 25% são os jovens da Geração Milênio, segundo apurou pesquisa recente do Centro de Inteligência Padrão (CIP), intitulada “Millenios e a geração Nem Nem” (definição para os jovens que não trabalham, nem estudam).

Tive a oportunidade de entrevistar alguns deles que estão entre os formandos. Entre aqueles que tinham alguma experiência e sem trabalho, estava Ralf Machado, de 33 anos – portanto dentro da Geração Y. Formado em Propaganda e Publicidade pela Faculdade Anhanguera de Jundiaí, me contou que está vivendo de “bicos” que aparecem. Casado há quatro anos, ele está entusiasmado com a possibilidade de desenvolver na prática aquilo que já havia aprendido na faculdade. “O curso de Assistente de Produção Audiovisual é sensacional e estou muito satisfeito. Quero explorar ao máximo o aprendizado das questões técnicas, coisa que já está acontecendo”, contou.

Outro na mesma situação, também no extremo dos Y mais velhinhos como Ralf, é o gestor ambiental Lucas Chaves Moreira, 32 anos, solteiro, desempregado faz dois anos. Inscreveu-se para tentar desenvolver numa nova área de atividade profissional. “Acertei em cheio. Sempre gostei de rádio, de televisão. Na minha casa tem uma televisão em cada canto. Assisto tudo. Ouço o que dá. Leio tudo”, confessou o rapaz. E me disse mais: “Eu quero terminar o curso aqui e fazer outro de edição de vídeo. Por qual motivo? Porque eu ainda quero trabalhar na TVTEC.”

Conversei ainda com Renan Agostinho, de 20 anos, que me pareceu encantado com a opção feita. Desempregado, ele sonha em se tornar produtor de vídeos e viver profissionalmente nessa área. “Produtor do quê”, pergunto curioso. “De todas as mídias que eu conseguir aprender a trabalhar. Isso: de preferência todas.” Falei com outros tantos, ainda na mesma linha. Sem trabalho, mas agarrados à chance encontrada de, nesse tempo, mergulhar em novos conhecimentos.

Claro que é preocupante ver tantos jovens marginalizados pela inatividade econômica, com dificuldade de arranjar uma via para o equilíbrio e a felicidade na vida. Mas também é estimulante ver que eles estão lutando, agarrados à oportunidade que enxergam nos cursos da TVTEC – que mudou o foco de apenas educativa para formadora –, empenhados, e com muita gana para construir, eles mesmos, seus caminhos. Mais ainda, com esperança de obter resultados positivos, a partir do conhecimento adquirido.

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